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3 de mai de 2012

Há outros caminhos até Deus?

A grande maioria dos pastores evangélicos não aceitam que a vida eterna pode ser obtida através de outras religiões que não o cristianismo, comprova uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas LifeWay. O levantamento entrevistou centenas de pastores, perguntando “Se uma pessoa está sinceramente buscando a Deus, pode obter a vida eterna através de outras religiões que não o cristianismo?”. Um total de 77% dos pastores entrevistados discorda totalmente, enquanto 7% discordam em parte e outros 7% concordam em parte. Apenas 5% concordaram com essa possibilidade, enquanto 3% não tem certeza.“A exclusividade do evangelho cristão não é algo popular no contexto do pluralismo atual”, disse Ed Stetzer, presidente da LifeWay. “Mas a maioria dos pastores ainda pregam que o cristianismo é o único caminho e rejeitam a idéia de que outras religiões levam ao céu.” Mas a crenças dos pastores em relação à exclusividade do cristianismo é diferente da maioria dos membros de suas igrejas, segundo comprova um novo estudo realizado por Eric Geiger, Michael Kelly e Philip Nation, que fizeram o levantamento para seu próximo livro “Discipulado Transformador”. Quando apresentados à mesma declaração, apenas 48% dos adultos que frequentam uma igreja evangélica seguidamente “discordam fortemente”, enquanto 9% discordam “em parte”. Um total de 26% concordam, incluindo 13% que “concordam fortemente” e 13% que concordam “em parte”. A pesquisa mostrou ainda que 16% não souberam responder. (Fonte: Charisma News/GospelPrime. http://www.creio.com.br/2008/noticias01.asp?resp=Indicação%20efetuada%20com%20sucesso). Dessa pesquisa, concluo que: a) Os “77% de pastores e os 48% dos adultos que discordam totalmente”, estão firmes nas palavras do próprio Jesus (Jo 14.6), de Pedro (At 4.12) e de Paulo (I Tm 2.5); b) Os “7% e 9% que discordam em parte” e outros “7% que concordam em parte”, são os “mornos” como a igreja de Laodicéia (Ap 3.16); c) Os “5% e 26% que concordaram” com essa possibilidade, são os lobos, disfarçados de pastores (At 20.29,30), tentando lançar outro fundamento da fé (I Co 3.11), tentando nos desarraigar de Cristo (Cl 2.6,7), com suas filosofias e vãs sutilezas (Cl 2.8); e d) Os “3% que não tem certeza e os 16% que nem souberam responder”, não devem nem saber se são salvos e porque são membros de uma igreja (At 19.32). Pr. Ronaldo Lucena.

10 de mar de 2012

Apenas um pouco de Jesus

Conta uma parábola pós-moderna que um “crente” chegou ao seu pastor dizendo que gostaria de comprar “apenas um pouco de Jesus”, o suficiente para lhe dar um sono tranquilo à noite, mas não o perturbasse com a sorte das minorias; o suficiente para fazê-lo dormir, mas não o fizesse sofrer com os miseráveis; apenas o bastante para emocioná-lo, mas não transformá-lo; algo que lhe desse cura física, mas não cura interior. Ele queria o acolhimento do “calor de um útero”, mas sem precisar nascer de novo; desejava o suprimento do pão de cada dia, mas sem a inquietude dos que não têm o que comer. Ele dizia: “Apenas um pouco de Jesus me bastaria”.

O “crente” queria o suficiente para proteger a sua casa e os seus bens, mas não o deixasse perplexo com a situação dos que dormiam debaixo das pontes. Um pouco de Jesus bastaria, o suficiente para lhe abrir as portas do céu, mas não lhe exigisse abrir os olhos para ver a maldade do seu próprio coração. E concluiu: “Pastor, por favor, dê-me apenas um pouco de Jesus”.

Infelizmente, como Jesus está sendo reduzido a estereótipos consumistas, alguns querem “apenas um pouco de Jesus”, não Ele todo; uma relação de consumo, não de comunhão íntima. Porém, o tanto que alguém terá de Jesus dependerá sempre do quanto se entregar a Ele.

Acredito piamente que o Evangelho de Cristo é a resposta de Deus ao problema existencial do ser humano. Creio que o próprio Cristo é a resposta ao enigma da vida em qualquer área que se pense. Porém, temos presenciado mudanças substanciais na mensagem cristã que é pregada e vivida hoje: uma mensagem sem compromisso, utilitária, de consumo, na qual Jesus é reduzido à categoria de um mordomo celestial das coisas de que precisamos.

Por isso, é fácil deduzir que alguns não querem Jesus, apenas desejam os benefícios que Ele pode proporcionar. Não o buscam pelo que Ele é, mas pelo que oferece. O egoísmo fez com que algumas pessoas tirassem Jesus do centro do Universo, de modo que não o buscam porque de fato o desejam, mas por entenderem que Ele é imprescindível para a realização de seus projetos pessoais. Assim, preocupa-me ainda mais que certos “crentes” queiram apenas um pouco de Jesus, o suficiente para ficarem “de bem com a vida”.

Sem pretensões de sermos “palmatória do mundo”, contudo, precisamos questionar o modo como certas pessoas tratam as coisas de Deus. Algumas perguntas honestas exigem respostas coerentes. Que tipo de evangelho queremos, um que nos deixe com o astral elevado, mas sem custar nada; que evite falar de sacrifício, renúncia, perdas, mas trate somente do sucesso? Queremos um evangelho cuja espiritualidade seja indolor e sem sacrifício, sem nos deixar nenhuma marca? Queremos uma vida inodora, sem o bom cheiro de Cristo, para não sermos incômodos nem incomodados?

O apóstolo Paulo fez uma das mais bombásticas declarações a respeito de o Evangelho de Cristo ser pregado, não importando o meio utilizado ou a motivação do pregador. Ele estava tendo sérios problemas porque certas pessoas pregavam a Cristo “por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação” às suas cadeias. Outros “proclamavam a Cristo por inveja e porfia”. Mas Paulo acrescentou que alguns, porém, o faziam motivados pela “boa vontade, por amor”. Ele indicou, então, que também se regozijava “uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade” (Fp 1.15-18).

O que Paulo afirmara há vinte séculos, ainda carrega um forte componente profético, pois hoje ocorre a mesmíssima situação. Isto é preocupante, não somente porque a mensagem do Evangelho está sendo diluída, mas também porque a própria maneira de vivê-la tem sido maculada. Assim, o modo como pregamos a Cristo e vivemos a Sua mensagem é comparado a realizar uma obra. O próprio Paulo ensina: “Deus já pôs Jesus Cristo como o único alicerce, e nenhum outro pode ser colocado”. Está claro, pois, que Cristo é o centro da mensagem, não outro.

Ele também fala da qualidade do material: “Alguns usam ouro ou prata ou pedras preciosas para construírem em cima do alicerce. E ainda outros usam madeira ou capim ou palha”. Ou seja, algumas vidas e mensagens são preciosas como o ouro, e outras, pobres como a palha. Mas Paulo acrescenta: “O Dia de Cristo vai mostrar claramente a qualidade do trabalho de cada um. Se aquilo que alguém construir em cima do alicerce resistir ao fogo, então o construtor receberá a recompensa” (1 Co 3.11-16).

Em Março, a Boas Novas comemora “19 anos transmitindo Jesus”, dizendo a todo o povo que Cristo é a mensagem do Evangelho, para que ninguém se acomode em querer “apenas um pouco de Jesus”, mas a plenitude da Sua bênção.

Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém

19 de jan de 2012

O que significa ser crente hoje

No início da Era Cristã, os discípulos de Jesus foram chamados de cristãos, mas isso nada tinha de elogio; era apenas um adjetivo pejorativo, pois eles eram “diferentes”. Naquele tempo eles eram perseguidos e lançados às feras. Quando o cristianismo se tornou a religião majoritária e oficial, cristão virou substantivo. Ficou “chique”, pois não mais havia perseguições e apenas se requeria deles mera formalidade exterior.
Aconteceu de modo semelhante com os crentes no Brasil. De um passado de perseguições inclementes, ocasião em que muitos pagaram com a própria vida por causa de suas convicções, depois as coisas mudaram. Com inúmeras igrejas e teologias para todos os gostos (e desgostos), ser crente ganhou uma conotação “chique” que destoa de seu antigo significado.
Muitos acham que crente é aquele que não mata, não rouba, não mente, não tem vícios, frequenta igreja, veste-se modesta e decentemente, e não fala coisas inconvenientes. Outros acham que o crente não precisa ser diferente, isto é, pode viver do mesmo jeito que vivia antes, desde que faça as coisas “em nome do Senhor”. Já outros acham que, sendo crentes, adquirem um passaporte para um mundo-cor-de-rosa, tornando-se supercrentes: jamais ficam doentes, não têm crises financeiras, nem quaisquer problemas.
Embora respeite opiniões contrárias, entendo que ser crente é algo mais profundo, pois tem a ver com a mente e o coração, com uma radical mudança na essência do ser, e não apenas com meras atitudes exteriores. Pode-se tentar dar muitas definições, mas ser crente jamais passará disso: uma nova criatura a viver de conformidade com o Evangelho de Jesus Cristo. Esse ponto tem sido ignorado e traz muitas confusões às mentes das pessoas.
Mas o termo crente está em desuso. Agora, o chique é ser evangélico. Quando mulheres famosas posam nuas, falam imoralidades e rebolam “em nome do Senhor”, se dizendo evangélicas e defendendo que o exterior não importa, pois “Deus quer é o coração”; quando bandidos contumazes cometem todo tipo de atrocidade, mas no dia seguinte a serem pegos já se postam com a Bíblia na mão e se dizem evangélicos; quando desvios de comportamento procuram ser atenuados com essa nova palavra mágica, então podemos ver que algo está errado não só no entendimento do que significa ser evangélico, mas no próprio “modus vivendi” das pessoas que trazem afrontas e vitupério ao nome de Cristo.
Crente e evangélico, por definição, deveriam ser essencialmente a mesma coisa — aquele que segue fielmente o Evangelho. O problema é o desvio espiritual de quem quer apenas um rótulo chique, cuja religião demonstra cristianismo sem Cristo, discipulado sem cruz, privilégios sem responsabilidades, espiritualidade sem amor, liturgia sem liberdade do Espírito, e piedade sem poder de Deus.
Se crente é aquele que segue o Evangelho, tomemos uma expressão do Sermão do Monte para julgarmos a situação segundo a reta justiça. Jesus disse: “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido... para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte”.
A função primária do sal é salgar, preservar e dar sabor. O propósito da luz é iluminar. São coisas tão evidentes que não necessitam de ilustração. Jesus as utilizou para deixar claro que esperava de Seus discípulos que a sua influência na sociedade fosse semelhante ao sal e luz.
O problema é que alguns são “crentes” apenas nominalmente, não são regenerados; são “crentes” insípidos e em trevas, que nunca salgam e jamais iluminam nada. Jesus os identificou como “joio”. Estes alargam o “caminho estreito” da salvação e fazem com que o nome do Senhor seja blasfemado. Em contrapartida, louvo a Deus pelos crentes fiéis, os quais vivem de modo digno do Evangelho, honrando o bom nome de Cristo e demonstrando com o seu exemplo que a verdade do Evangelho se credencia na prática.
Quando a sociedade julga os crentes por aqueles que não vivem de acordo com o Evangelho, podemos tirar disso uma lição. A sociedade espera que sejamos realmente diferentes, que vivamos o que pregamos, não o contrário. Quando somos expostos pela imprensa por causa de uns poucos “convencidos” (não convertidos), isso só deve nos fortalecer no propósito de continuarmos a ser sal e luz num mundo que se revolve cada vez mais na podridão de suas próprias trevas espirituais e morais.
Jesus disse que a árvore é conhecida pelos seus frutos. E também afirmou: “Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”. Vale a pena ser crente em Jesus!

Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém
E-mail: samuelcamara@boasnovas.tv